segunda-feira, 31 de outubro de 2011

3. RECORDANDO

Cresci na Zona Norte do Rio de Janeiro [que de maravilhosa só tem as praias]. 
Sempre fui A revoltadinha, A estressadinha, A ovelha negra da família.

Legal né?

Não, não é legal. 
Isso só é sinônimo de “popularidade” quando se é uma pirralha que acha que ta tirando onda na escola andando com um short cravado na bunda e uma blusa cortada [para quando levantar o braço aparecer a barriga],  só esquecendo de reparar que as pernas eram finas demais para shorts tão curtos e o peito pequeno demais pra chamar atenção assim.

Querer imitar as gostosonas da escola não te faz ser uma delas, então eu resolvi ser A rebelde sem causa. Que parava na diretoria sempre, que xingava os professores, que jogava bolinha de papel junto com os meninos e matava aula no banheiro. 
Eu era legal, mas não tanto quanto parece.

Na verdade eu não tinha nada de popular na escola, só que pelo meu jeito de ser também não passava despercebida. Todo mundo sabia quem era eu, gostando ou não. Aqui e ali eu tinha amizade com um popular ou outro e disso eu sempre me aproveitava [ou tentava]. 
No fundo eu era só mais uma magrela querendo chamar atenção. 

O problema todo é que a “síndrome de chamar atenção” eu tenho até hoje, não é uma coisa que se escolhe, é uma coisa com que se convive.

Coitada da minha mãe, sempre foi boa demais pra mim.
Eu cansei de envergonhá-la... Mas calma, eu não era nenhuma “sem coração”, me incomodava isso [não sempre], mas sempre fui idiota demais para pedir desculpas. 
Eu era A foda!

Ahhh... doce ilusão.

Hoje, em dia eu até aprendi a pedir desculpas, mas não tão bem assim.
Sou um reflexo do meu passado, um pouco melhorada [ou não].